Couto participa de audiência e defende diálogo entre as religiões

O deputado citou o artigo 3º da Constituição Federal como referência para o respeito que deve haver entre as diversas religiões.

O deputado federal paraibano Luiz Couto (PT) participou na última quarta-feira, 19, de uma audiência pública promovida pela Comissão de Direitos Humanos e Minorias (CDHM) no plenário 9 do Anexo II da Câmara dos Deputados com a finalidade de “contribuir na promoção do diálogo inter-religioso, na liberdade e convivência respeitosa entre os cultos e para a laicidade do Estado”. Foram convidadas, como expositoras, lideranças ligadas a igrejas Cristãs e ao Candomblé, além do coordenador do Comitê Nacional de Respeito à Diversidade Religiosa da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República – órgão do governo federal responsável pelo diálogo inter-religioso.
Em sua fala, o deputado, que também é padre católico, citou o artigo 3º da Constituição Federal como referência para o respeito que deve haver entre as diversas religiões e pregou o fim da discriminação. Além disso, o paraibano refletiu que ser religioso não é apenas ser adepto de alguma denominação, lembrando o escritor espanhol José Antônio Pagola: "Ele diz que a religião tem muitos adeptos, mas há poucos discípulos de Jesus. É um caminho que temos que percorrer e é um processo de conversão permanente. É preciso recuperar o sentido da humanidade, que está se tornando inumana, desumana, desumanizante e desumanizadora. É isso que Jesus coloca. Seu princípio básico é que devemos nos amar uns aos outros como ele nos amou". O paraibano ainda comentou: “Até a palavra que usamos, tolerância, não é suficiente. Nós ‘toleramos’... mas o que nós queremos e precisamos é o respeito, é a convivência pacífica. O diálogo é fundamental e nós esquecemos desse diálogo. Precisamos deixar de lado as arrogâncias e as prepotências e dialogar de fato ”.
O presidente da CDHM, deputado Paulo Pimenta (PT-RS), ressaltou que as instituições religiosas são “vocacionadas à promoção de valores humanistas”, mas lamentou a existência de episódios de violência e intolerância entre religiões também no Brasil. Apesar disso, Pimenta considera o País “um território fértil de cooperação e diálogo inter-religioso”.
Já a deputada Erika Kokay (PT-DF) elogiou a recente formação da Frente Inter-Religiosa, que se formou para lutar contra a proposta de redução da maioridade penal na Câmara, mas atacou os fundamentalismos que prejudicam o diálogo entre as diversas crenças. “Ali nós tínhamos a CNBB, o Conic, os Evangélicos pela Justiça, a Rede Nacional de Religiões Afro-Brasileiras e naquele espaço tinham o mesmo objetivo e foi uma experiência bastante exitosa na perspectiva do diálogo, do ‘trocar com o outro’”, disse Erika.
“Vivemos numa sociedade com muito fundamentalismo e isso esgota a capacidade reflexiva e dialógica. Não podemos tolerar que uma menina, uma criança, seja apedrejada na rua por estar com as roupas de sua fé, de uma religião de matriz africana. Se não respeitamos a laicidade, não haverá presente nem futuro em nossa sociedade”, registrou a parlamentar.
“Apesar das diferenças foi possível um diálogo muito rico”, avaliou o presidente do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (CONIC) e bispo anglicano, Dom Flávio Irala. Entre os outros expositores da audiência pública também estiveram o coordenador-geral do Comitê Nacional de Respeito à Diversidade Religiosa da Secretaria de Direitos Humanos Presidência da República, Alexandre Fonseca; o monge beneditino, escritor e teólogo Marcelo Barros de Souza; a sacerdotisa de candomblé Oneide Monteiro Rodrigues (Mãe Nangetu) e o presidente da Associação Nacional de Juristas Evangélicos (Anajure), Uziel Santana, entre outros.

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