Guerrero marca, e Flamengo vence o Grêmio no primeiro jogo do artilheiro no Maracanã pelo clube

Atacante peruano garante vitória por 1 a 0 e chega a três gols em três jogos com a camisa rubro-negra


Guerrero corre para festejar o gol que marcou sobre o Grêmio, o terceiro dele em três jogos pelo Flamengo - Guito Moreto / Agência O Globo


Palavra de origem indígena que designa uma pequena arara, o Maracanã se transformou numa aldeia para a consagração do cacique. Torcedores vindos de todas as partes se cobriram de vermelho e preto para o ritual. Com ascendência inca e futebol cosmopolita, Paolo Guerrero foi celebrado como chefe da tribo logo em sua primeira partida com a camisa rubro-negra no Rio, diante de 51.055 presentes. Foi o maior público do Flamengo em casa neste Brasileiro.


Além de encerrar série de três derrotas no Maracanã, a estreia do ídolo serviu para mexer no calendário e anunciar o reinício da temporada rubro-negra. Com Sheik e Guerrero juntos o Flamengo já ganhou três partidas seguidas que trazem alívio para o técnico Cristóvão Borges e todos os rubro-negros, que viram o time se afastar da zona de rebaixamento, indo dormir na 13ª colocação, com 16 pontos.

TABELA: A Série A do Brasileiro

Vindo de seis vitórias nos últimos sete jogos, o Grêmio tentava chegar à vice-liderança. Com a derrota, corre o risco de terminar a rodada fora do G-4. Na aldeia Maracanã, os donos da terra sabem que o tempo no futebol muda rapidamente.


A luxação no cotovelo de Jonas, na vitória de quarta-feira sobre o Náutico, fraturou também uma estrutura que já parecia consolidada. Ao abrir mão de um dos três volantes, o técnico Cristóvão Borges tinha em Marcelo Cirino uma atacante a mais para se aproximar da dupla Sheik/Guerrero. Apesar da formação mais ofensiva, o Flamengo não repetiu o erro da derrota para o Corinthians de avançar a marcação e se expor aos contragolpes.

Com dificuldade de ficar com a bola, restava ao Flamengo esperar pelos erros do rival. Num deles, Guerrero desarmou Rodolfo ao sair jogando e chutou cruzado para boa defesa de Marcelo Grohe.


Guerrero faz cara de dor e põe a mão no tornozelo direito, atingido com violência por um jogador do Grêmio - Guito Moreto / Agência O Globo
A empolgação da torcida se transformou em apreensão quando Guerrero tombou após ser atingido no tornozelo direito por Maicon, aos 18. Com o ídolo de pé, foi a vez de o travessão rubro-negro balançar depois de César ser vencido por chute de Galhardo, aos 21. Sem a mesma organização do Grêmio, o Flamengo tirava forças da alma. Após ganhar dividida na defesa, Sheik avançou com a bola até tocar para Éverton, que foi travado bo momento do chute


Guerrero disputa a cabeçada: jogo contra o Grêmio é a estreia de Guerrero no Maracanã com a camisa do Flamengo - Marcio Alves / Agência O Globo


Aos 31, Guerrero recebeu nova pancada no local, dessa vez em entrada de Geromel. Conhecidos pela tradição do churrasco, aos 40, gaúchos anunciavam o rodízio de faltas. Mancando, o peruano mostrava insegurança para chutar forte com o pé direito. Restava-lhe, no entanto, o oportunismo e a perna esquerda para abrir o placar, aos 40, ao pegar rebote do goleiro em cabeçada de Marcelo.



Com a entrada de Arthur Maia no lugar de Cirino, que passou mal no intervalo, o Flamengo trocou a velocidade pela cadência, enquanto o Grêmio tentava pressionar pelas laterais. Com espaços para os contragolpes, Éverton mostrou que pode ser um bom discípulo do peruano. Com semelhanças do penteado às feições, que remetem aos povos das Américas, o jovem guerreiro teve a chance do golpe fatal mas chutou mal. Não havia tempo para lamentar que a tribo já não tem a pontaria e a força de um passado distante. Diante da chance e da pureza perdidas, restava a miscigenação que dá força ao Flamengo. Com a garra argentina de Canteros e malandragem brasileira de Sheik, o time fechava o cerco ao rival. Aos 26, Sheik se aproveitou de vacilo de Grohe, driblou o goleiro e chutou rasteiro, mas Rodholfo salvou de carrinho.

Com a torcida batendo tambor, Arthur Maia mandou por cima a chance do segundo gol. Aos 34, Wallace cabeceou no travessão. A agonia só não era maior porque o Grêmio sequer saía de seu campo. Quando o fez, o Flamengo teve força para assegurar a vitória e a festa na chegada do cacique. A começar pelo público, Guerrero faz sua tribo aumentar em tamanho e confiança. No Maracanã, o Flamengo é novamente o dono da terra. Ao Grêmio, restou um programa de índio.

FLAMENGO 1 X 0 GRÊMIO

Local: Maracanã, no Rio de Janeiro (RJ)

Data: 18/07/2015, 18h30

Árbitro: Ricardo Marques Ribeiro (Fifa-MG)

Assistentes: Márcio Eustáquio Santiago (Fifa-MG) e Guilherme Dias Camilo (Fifa-MG)

Renda/Público: R$ 2.070.015,00 / 44.318 pagantes (51.055 presentes)

Cartões amarelos: Emerson Sheik (FLA). Pedro Rocha, Marcelo Hermes, Geromel, Maicon e Marcelo Grohe (GRE)


FLAMENGO: Cesar; Ayrton, Marcelo, Wallace e Jorge; Canteros, Márcio Araújo e Everton (Gabriel, 41'/2ºT); Marcelo Cirino (Arthur Maia, Intervalo), Emerson Sheik e Guerrero. Técnico: Cristovão Borges.

GRÊMIO: Marcelo Grohe; Galhardo, Geromel, Rhodolfo e Marcelo Hermes; Wallace (Braian Rodríguez, 43'/2ºT), Maicon, Giuliano e Douglas (Fernandinho, 16'/2ºT); Luan e Pedro Rocha (Vitinho, 29'/2ºT). Técnico: Roger Machado.


O GLOBO
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