Brasileiras aderem à moda de deixar crescer e colorir pelos das axilas


axilas
Libertem os “fupos”! A onda iniciada no Instagram por meninas inglesas e americanas que deixaram os pelos das axilas crescerem para pintá-los e exibi-los na rede social chegou ao Brasil.
Não com o viés estético que fez a hashtag “dyedpits” (axilas coloridas, em inglês) contabilizar cerca de 400 fotos em poucos meses, mas pela quebra de padrões típica do movimento feminista.
Os “fupos”, gíria inventada pela montadora de cinema Marina Garcia, 21, para identificar os pelos do sovaco —palavra evitada pelas adeptas brasileiras da prática, que preferem “axilas”–, foram por muito tempo um tabu.
“Depilação é um incômodo, mas tinha receio dos olhares das pessoas se deixasse os pelos crescerem”, conta ela, que há seis meses deixou, com incentivo da amiga Luiza Ribeiro, 20, os pelos da perna à mostra. Das pernas para as axilas bastou um empurrãozinho.
“A relação do pelo com a estética está ligada à aceitação do corpo. Nossas atitudes são moldadas, impostas pela sociedade. As mulheres se depilam para os outros”, defende Marina. “Fora isso, é muito divertido ver a reação das pessoas quando você levanta o braço no ônibus.”
Para além da quebra do padrão de beleza convencional, a maior dificuldade das amigas no processo foi fazer a tinta pegar. O descolorante, peça fundamental para o movimento dos “fupos” coloridos, fez arder a pele na primeira aplicação e foi logo retirado.
Talvez a dupla não tivesse dificuldades se tivesse participado da oficina ministrada pelos estudantes Isadora Otoni, 20, Paulo Cesar Saito, 28, e Isabela Gonçalves, 17.
No Réveillon deste ano, numa festa realizada na Cachoeira do Pedrão, em Heliodora (MG), eles atraíram dez pessoas entre 16 e 27 anos dispostas a pintar pelos em partes do corpo pouco habituadas a receber tinturas.
“Pinto até pentelhos”, dizia um cartaz. Segundo os organizadores, verde foi a cor mais pedida pelos inscritos e, sim, houve quem pintasse os pelos pubianos.
“Pintamos primeiro em nós mesmos, depois nos outros. Tivemos a ideia ao ver blogueiras e outras meninas pintando”, explica Gonçalves.
O segredo, diz Paulo Saito, seria deixar o descolorante mais tempo do que a tintura para cabelo. Apenas 30 minutos e a descoloração daria certo. “Percebi que a tinta dura menos que a do cabelo, mas nada que outra demão não resolva.”
Para Otoni, colorir os pelos tem a ver com “autonomia do corpo feminino”, pois as mulheres “sempre estiveram sob o domínio do patriarcado”.
TRILOGIA DAS CORES
A moda ficou mais pop quando a cantora Lady Gaga postou uma foto com os pelos das axilas à mostra. Nada que Madonna não tivesse feito antes, mas, no caso de Gaga, os pelos estavam azuis, assim como os seus cabelos.
Antes de Gaga, azul foi a cor usada pela fotógrafa catarinense Jéssica Michels, 24, em sua performance “A Trilogia das Cores”, baseada nos filmes “A Liberdade É Azul” (1993), “A Igualdade É Branca” (1994) e “A Fraternidade É Vermelha” (1994), trilogia homônima do cineasta polonês Krzysztof Kie?lowski (1941-1996).
“Azul é uma cor masculina. Achei que deixar os pelos das axilas e do púbis crescerem e pintá-los de azul tinha relação com minha obra, que questiona valores e testa limites de aceitação do corpo”, conta.
Ela também pintou o corpo de vermelho para falar de menstruação e raspou a cabeça e engordou 10 kg para a parte “igualdade é branca”.
Segundo Jéssica, que há três anos não depila as axilas, os homens ficaram curiosos. “Eles achavam que era um fetiche novo.
Rolou até uma transa com um amigo que queria ver lá embaixo”, diz. “Alguns homens estão repensando o conceito de beleza.”
Folha
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