MPF apresenta denúncia contra Cerveró e Fernando Baiano à Justiça



Alberto Youssef e executivo da Toyo Setal também foram denunciados. Segundo a denúncia, eles são suspeitos de corrupção e lavagem de capital.

O Ministério Público Federal (MPF) apresentou novas denúncias contra suspeitos de envolvimento da Operação Lava Jato, da Polícia Federal (PF), à Justiça Federal do Paraná. O ex-diretor da área Internacional da Petrobras Nestor Cerveró, o lobista Fernando Soares – conhecidocomo Fernando Baiano –, o doleiro Alberto Youssef e o executivo da Toyo Setal Júlio Camargo foram denunciados na noite de domingo (14). O MPF confirmou a denúncia na manhã desta segunda-feira (15).
Os quatro são suspeitos, conforme a denúncia, dos crimes de corrupção contra o sistema financeiro nacional e lavagem de capital entre 2006 e 2012. De acordo com o MPF, Fernando Baiano e Nestor Cerveró são suspeitos de receber US$ 40 milhões de propina nos anos de 2006 e 2007 para intermediar a contratação de navios-sonda para a perfuração de águas profundas na África e no México. Fernando Baiano era representante de Nestor Cerveró no esquema, ainda segundo a denúncia.
Conforme o MPF, o pedido dos procuradores é de que os denunciados paguem R$ 296 milhões de devolução das propinas e também de indenização pelos prejuízos causados à estatal.
Procurado pelo G1, o advogado Edson Ribeiro, que defende Nestor Cerveró, disse desconhecer a denúncia. Mesmo assim, ele negou que seu cliente tenha qualquer envolvimento com Fernando Baiano e com o esquema investigado pela Lava Jato. “É uma acusação grave. O ônus da prova é do MPF. Ele não tem nada a ver com essa situação”, afirmou o advogado.
Mario de Oliveira Filho, advogado do lobista Fernando Baiano, também disse ao G1 não terconhecimento sobre a denúncia contra o cliente.
Até a publicação desta matéria, a defesa de Júlio Camargo não foi localizada pelo G1, e a advogada da Toyo Setal não atendeu às ligações. Os advogados do doleiro Alberto Youssef também não atenderam aos telefonemas da reportagem.
Na denúncia, consta que Fernando Baiano fez “acertos” com Júlio Camargo e que “não há qualquer dúvida” de que o lobista tenha repassado valores ao então diretor da área Internacional Nestor Cerveró, cuja participação foi fundamental para que negócios da Petrobras com empresas fossem efetivados.
“O acordo foi no sentido de que inicialmente Júlio Camargo remeteria os valores que se destinavam ao pagamento de propina para o exterior em contas bancárias no nome das suas empresas Piemonte e Treviso. Na sequência, Alberto Youssef contrairia empréstimo para a offshore Devonshire junto a mesma instituição financeira estrangeira e apresentaria como garantia do empréstimo os mesmos valores remetidos e depositados nas empresas de Júlio Camargo fora do Brasil. Finalmente, Youssef utilizaria os valores obtidos no empréstimo e os faria reingressar no Brasil por meio de investimentos simulados na empresa GFD Investimentos”, diz um trecho da denúncia.
Denunciados
O doleiro Alberto Youssef é, segundo as investigações, o "cabeça" do esquema de lavagem de dinheiro e evasão de divisas que teria movimentado cerca de R$ 10 bilhões. Ele está preso na carceragem da Polícia Federal, em Curitiba, desde março deste ano, quando a operação foi deflagrada. Alberto Youssef já é réu em outros processos originados da Lava Jato.
Fernando Baiano, apontado como operador do PMDB no esquema de corrupção que atuava na Petrobras, também está preso na carceragem da Polícia Federal na capital paranaense. Ele se entregou à PF no dia 18 de novembro, após ser ficar foragido por uns dias. O lobista teve o mandado de prisão decretado na sétima fase da Operação Lava Jato, ocorrida em 14 de novembro.
Já o executivo Júlio Camargo revelou que pagou US$ 40 milhões (equivalentes a R$ 104 milhões) ao lobista Fernando Baiano para garantir que uma empresa sul-coreana fornecesse à Petrobras sondas de perfuração para serem usadas na África e no Golfo do México. Ele fez acordo de delação premiada com o MPF.
Júlio Camargo e outro executivo da Toyo Setal Augusto Mendonça Neto, que também fez o acordo, detalharam ao Ministério Público Federal o suposto pagamento de propina a pessoas apontadas como operadoras do PT e do PMDB dentro da Petrobras e também como funcionaria o cartel criado para as licitações da estatal.
Nestor Cerveró foi apontado pelo ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa, em depoimento da delação premiada, como um dos funcionários da empresa beneficiados pelo suposto esquema de pagamento de propina instalado na Petrobras. Cerveró, porém, nega. Ele disse durante depoimento à CPI mista que investiga as irregularidades na estatal, em setembro, que desconhecia a existência do esquema.
Outras denúncias
Até agora, das 36 pessoas citadas nas cinco denúncias apresentadas pelo MPF na quinta-feira (11), nove viraram réus e vão responder a processo por crimes como corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Entre elas, estão quatro executivos da construtora Engevix, Paulo Roberto Costa e o doleiro Alberto Youssef. Outras quatro denúncias ainda estão sendo analisadas pela Justiça Federal. As nove denúncias foram aceitas pelo juiz federal Sérgio Moro na sexta-feira (12).
Onze executivos de empreiteiras e o lobista Fernando Baiano continuam presos na carceragem da PF, em Curitiba. 
CPI mista
No dia 2 de dezembro, os dois ex-diretores da Petrobras foram acareados em uma sessão da CPI mista. O objetivo da acareação entre Paulo Roberto Costa e Nestor Cerveró era esclarecer pontos divergentes entre os depoimentos dos dois ex-diretores da Petrobras dados anteriormente à CPI. Ambos são suspeitos de envolvimento em esquema de desvio de dinheiro da estatal investigado pela Polícia Federal.
Nestor Cerveró negou ter recebido propina para firmar contratos com empreiteiras na Petrobras e reafirmou desconhecer pagamento de propina na estatal. Já Paulo Roberto Costa disse estar "arrependido", mas afirmou que não responderia a perguntas durante a sessão de acareação promovida pela CPI mista da Petrobras entre ele e o ex-diretor da área Internacional da empresa.
Aos questionamentos dos parlamentares, Paulo Roberto Costa se limitou a afirmar, repetidamente, que tudo o que tinha a dizer estava detalhado nos depoimentos que deu por meio de delação premiada à Justiça Federal, sem revelar o conteúdo. Mesmo assim, na última pergunta dirigida a ele, após mais de três horas de sessão, Paulo Roberto Costa afirmou que há "dezenas" de políticos envolvidos no esquema de corrupção na Petrobras.
Paulo Roberto Costa foi preso em março, no início da operação. Atualmente, ele cumpre prisão domiciliar no Rio de Janeiro e é monitorado por uma tornozeleira eletrônica, tendo que cumprir regras para não perder os benefícios pelo acordo de delação premiada, que foi homologado pela Justiça. Ele cumpre prisão domiciliar desde o dia 1º de outubro – até então, ele também estava preso na carceragem da PF na capital paranaense. Paulo Roberto Costa ocupou a direção de Refino e Abastecimento da Petrobras entre 2004 e 2012, nos governos Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff. Ele é um dos acusados na operação Lava Jato.
Entenda a Lava Jato
A operação Lava Jato começou investigando um esquema de lavagem de dinheiro e evasão de divisas que teria movimentado cerca de R$ 10 bilhões. A investigação acabou resultando na descoberta de um esquema de desvio de recursos da Petrobras, segundo a Polícia Federal e o Ministério Público Federal.
Na primeira fase da operação, deflagrada em março deste ano, foram presos, entre outras pessoas, o doleiro Alberto Youssef, apontado como chefe do esquema, e o ex-diretor de Refino e Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa.
A sétima fase da operação policial, no mês passado, teve como foco executivos e funcionários de nove grandes empreiteiras que mantêm contratos com a Petrobras em um valor total de R$ 59 bilhões.
Parte desses contratos está sob investigação da Receita Federal, do MPF e da Polícia Federal. Ao todo, foram expedidos na sétima etapa da operação 85 mandados em municípios do Paraná, de Minas Gerais, de São Paulo, do Rio de Janeiro, de Pernambuco e do Distrito Federal.
Conforme balanço divulgado pela PF, além das 25 prisões, foram cumpridos 49 mandados de busca e apreensão. Também foram expedidos nove mandados de condução coercitiva (quando a pessoa é obrigada a ir à polícia prestar depoimento), mas os policiais conseguiram cumprir seis.

G1
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