Rio e SP precisarão gastar R$ 8,5 bi para garantir abastecimento d'água

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Rio Paraíba do Sul já está com os quatro reservatórios com os níveis mais baixos dos últimos 36 anos

 Diante da maior seca dos últimos 84 anos em São Paulo, e propondo a transferência de parte da água de um dos reservatórios do Rio Paraíba do Sul para o estado a fim de melhorar o abastecimento, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) pediu na segunda-feira ajuda ao governo federal, em reunião com a presidente Dilma Rousseff, para financiar oito obras de infraestrutura na área hídrica. Juntas, elas custarão R$ 3,5 bilhões — R$ 1,5 bilhão a menos do que o Rio precisa gastar para universalizar o abastecimento fluminense. O Rio ainda não enfrenta seca, mas sua principal fonte de abastecimento, o Paraíba do Sul, já está com os quatro reservatórios com os níveis mais baixos dos últimos 36 anos. O total de R$ 8,5 bilhões que precisa ser investido em obras, nos dois estados, não trará resultados imediatos. Em São Paulo, algumas intervenções começarão a ficar prontas em 2015, mas o restante, somente daqui a três anos. No Rio, a previsão é que o sistema esteja universalizado só em 2030.

A conta pode ficar ainda mais alta. Segundo o pesquisador do Laboratório de Hidrologia da Coppe, Paulo Carneiro, que coordenou o estudo, encomendado pelo Instituto Estadual de Ambiente, que aponta que serão necessários R$ 5 bilhões para o Rio resolver seus problemas de água, o cálculo é baseado na situação atual do estado e não leva em conta fatores como a possibilidade de transposição para São Paulo.
— O estudo foi feito levando em conta o atual nível de atendimento médio do sistema de abastecimento de água do estado. O investimento médio necessário foi estimado em 5 bilhões. Não leva em conta fatores que possam advir da atual crise que vem enfrentando o estado de São Paulo, como possibilidade de captação da água do Rio Jaguari, no Rio. E também não leva em conta a possibilidade de, no futuro, ser necessária a dessalinização da água do mar — comentou Carneiro.
Na segunda-feira, em Brasília, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, explicou que os R$ 3,5 bilhões seriam gastos na interligação do Rio Jaguari ao Atibainha; na barragem de Pedreira e Duas Pontes; no sistema adutor regional para os rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí; na interligação do Rio Pequeno com a represa Billings; na estação de reúso para reforço do sistema Baixo Cotia; na adutora emergencial Jaguari-Atibaia para reforçar a captação de Campinas; e na construção de 24 poços artesianos no Aquífero Guarani. Alckmin afirmou ainda que, a partir de 2017, São Paulo contará com seu oitavo sistema de produção de água, de São Lourenço, que jogará 4,8 m3 por segundo para o Cantareira, graças a um convênio de R$ 1,8 bilhão entre São Paulo e a União, que será assinado na próxima semana. Além disso, ele disse que há obras permanentes para que o estado seja cada vez menos dependente da água do sistema Cantareira, o que mais vem penando com a estiagem.
Para o diretor do Departamento de Hidrologia da Faculdade de Engenharia da Unicamp, Antônio Carlos Zuffo, as medidas anunciadas por Alckmin aumentariam a margem de manobra do sistema a longo prazo. Mas, de acordo com Zuffo, parte das propostas apresentadas já era de conhecimento do governo desde a década de 90 e não foi colocada em prática.
— O resultado não seria sentido em menos de cinco anos. O anúncio é muito mais para mostrar a população e o setor econômico que há uma saída do que realmente resolver a crise imediata — afirmou Zuffo.

Além de Dilma e Alckmin, participaram da reunião as ministras do Planejamento, Miriam Belchior, e do Meio Ambiente, Izabella Teixeira. Depois do encontro, as ministras disseram que Dilma pediu para o governo de São Paulo detalhar as obras, o que será feito numa reunião na próxima segunda-feira. Nessa conversa é que seriam definidas as condições financeiras e quanto o governo federal poderia contribuir para a execução das obras.
Segundo a ministra Miriam Belchior, Dilma disse que a ajuda para as obras depende da capacidade financeira da União, mas sobretudo da importância dos projetos para a população.
— Eventualmente podemos apoiar tudo — disse.
O Globo
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